A Aplicação da Metodologia Front-End Load (FEL) em Projetos Minerais de Pequeno a Médio Porte – Uma Realidade Viável? – PARTE FINAL


A Metodologia FEL realmente pode auxiliar a gerenciar projetos minerais de médio a pequeno porte?

Já falamos sobre a abordagem das áreas de conhecimento de Gestão de Projetos e sobre as características e estrutura da Metodologia FEL.

Nessa parte final, vamos relacionar as Fases da Pesquisa Mineral com os assuntos abordados nos artigos anteriores.

Vamos estabelecer quais são as etapas propostas para a Exploração Mineral. Claro, são etapas básicas, e levaremos em consideração um cenário amplo, onde todas as etapas da Prospecção e Pesquisa Mineral são planejadas, executadas, monitoradas e encerradas, dentro de um escopo definido.

As fases da pesquisa mineral, por sua vez, são agrupadas em etapas:

  • Reconhecimento Geológico;
  • Desenvolvimento – Trabalhos de Exploração Mineral;
  • Avaliação de Reservas;
  • Validação da Jazida Mineral.

Para que tenhamos bons resultados na pesquisa mineral, cada etapa deve ser encarada como um projeto específico no contexto do projeto principal de exploração mineral, sendo possível a aplicação dos procedimentos de gestão adequados para cada necessidade inerente às fases da pesquisa.

Devemos sempre ter em mente que o Escopo para cada fase deverá ser suficientemente detalhado para oferecer respostas assertivas para que ao final de cada atividade seja possível uma tomada de decisão segura, diante de dados consistentes e realistas.

Quanto aos prazos, é necessário que o Escopo esteja alinhado com a estimativa de prazos legais previstos por Leis, Decretos e Portarias vigentes do Código de Mineração, geridos pelo DNPM. Além disso, os prazos seguem a lógica de realizarmos o melhor serviço, com a melhor relação custo/benefício de forma a finalizarmos tempestivamente os trabalhos, dentro dessas premissas.

Os custos de cada fase prevista para o projeto de exploração mineral deve acompanhar o que definimos no Escopo, respeitando-se prazos. Para se estimarmos os custos, é importante planejarmos e definirmos um escopo bem elaborado, sob pena de elaborarmos uma estimativa de custos fora da realidade do projeto.

Em relação aos riscos inerentes ao projeto, é imprescindível que estudemos adequadamente as possibilidades. É interessante dizer que os riscos não se limitam somente à possibilidades negativas e ameaçadoras ao projeto, mas sim, também, às possibilidades positivas e que podem agregar valor ao projeto.

O levantamento dos riscos depende das conclusões tiradas nas fases de Escopo, a partir da Estrutura Analítica do Projeto (EAP) – um organograma onde se relaciona as atividades previstas ao Escopo, os prazos para cada atividade e seus respectivos custos.

Os riscos devem ser devidamente planejados, identificados, analisados qualitativa e quantitativamente, planejar as respostas aos riscos, e realizar o monitoramento e o controle desses riscos, minimizando as ameaças e maximizando as oportunidades.

Os Stakeholders deverão estar a par de todo o andamento do projeto. Em se tratando de Sponsors, esses devem sempre estarem informados de todo o avanço do projeto, principalmente em relação à resultados práticos e custos realizados. Ainda é importante que tenhamos uma visão clara sobre as expectativas das próximas atividades.

Para o caso de Stakeholders de um modo geral, mas que não exercem influência financeira na tomada de decisão do projeto (colaboradores, fornecedores, prestadores de serviços, comunidade e poder público) devemos monitorar e gerenciar as expectativas de cada um deles, dentro do grau de influência exercida pelos respectivos. É importante que os Stakeholders sejam sempre munidos de informações precisas e atualizadas, para que o andamento do projeto seja o mais assertivo possível.

Para relacionar a Metodologia FEL aos processos de Pesquisa Mineral, vamos considerar que o objetivo do projeto seja a validação de uma jazida mineral. Em muitos casos, no setor mineral, considera-se o FEL no âmbito da fase de produção mineral como FEL III. Essa abordagem é a mais aceita, mas, no entanto, geralmente é aplicada para empreendimentos de maior complexidade e de CAPEX elevado.

Para o nosso caso, podemos enumerar as seguintes situações:

  • Empresas de médio porte, de cultura organizacional familiar ou não, que deseja expandir seu mercado a nível regional/nacional, onde se faz necessário avaliar um número considerável de oportunidades de negócio – áreas potenciais para o bem mineral específico – muitas vezes requeridas pela empresa junto ao DNPM ou oferecidas por terceiros, para opção de aquisição;
  • Empresas de médio porte, de cultura organizacional familiar ou não, que definiram a estratégia de verticalizar seus processos para obtenção de matéria prima (bens minerais);
  • Mineradores de menor porte, e consequentemente com menor poder de captação de investimentos, que precisa decidir em quais de seus alvarás de pesquisa deverão alocar seus recursos para uma possível busca de investidores, para dar continuidade ao projeto.

A partir da Exploração Mineral e do FEL (dentro da ênfase das áreas de conhecimento de Gestão de Projetos) podemos entender o projeto como sendo de natureza compartilhada. As etapas são agrupadas em função das características dos resultados alcançados para cada etapa – que deverá apresentar resultados que, por sua vez, dão condições de analisar e tomar decisões sobre os possíveis cenários interno e externo ao projeto.

Na etapa de Análise do Negócio, FEL I, realizamos pesquisas preliminares a respeito do potencial geológico das áreas a serem estudadas, além de estimativas de mercado futuro.

O planejamento do gerenciamento dessa fase prevê o desenvolvimento de ações em Pesquisa Bibliográfica, Sensoriamento Remoto/Topografia SRTM (tratamento de imagens de satélite) e Mapeamento Geológico Regional.

O resultado dessa fase nos permite tomar a decisão de se avançar para a próxima fase do projeto, e os entregáveis são, além de estimativas de riscos, prazos e custos, um mapa geológico preliminar da área, um relatório com dados de literatura específica e dados preliminares levantados em campo – geologia regional e relação de superficiários, por exemplo.

Para o FEL II, temos a fase de Desenvolvimento e de Avaliação de Recursos. A fase de Desenvolvimento consiste no planejamento e execução de trabalhos de Exploração Mineral, com o objetivo de se detalhar as informações levantadas em FEL I.

Nessa fase temos o Escopo detalhado da execução da Pesquisa Mineral, o levantamento completo dos Stakeholders, Custos e Prazos definidos e temos conhecimento do nível de Risco ao qual o projeto principal está submetido. Nessa fase determinamos a execução de Mapeamento Geológico de Detalhe, Amostragens, Geofísica e Sondagem.

Ainda em FEL II, na etapa de Avaliação de Reservas, temos os resultados da etapa de Desenvolvimento. Os entregáveis dessa etapa são as características da reserva mineral em termos de volume, abrangência geográfica, teores de minérios além de análises de necessidade (ou não) de detalhamentos específicos para melhor entendimento da reserva mineral.

Convém lembrarmos que a avaliação de reservas está diretamente ligada à expectativa dos Sponsors, e os resultados dessa avaliação são imprescindíveis para decidir pelo investimento no projeto ou mesmo no cancelamento do mesmo.

Em FEL III temos, nesse caso, o Projeto de Validação de Jazida Mineral, que trata-se dos estudos de viabilidade técnica e econômica da Jazida.

Nessa etapa finalizamos os trabalhos prospectivos e o cálculo de reservas já está definido. O projeto em questão tem como objetivo auditar todos os trabalhos anteriores e validar a existência de uma Jazida Mineral na área pesquisada.

O encerramento do projeto de Exploração Mineral ocorre nessa fase. Aqui, controlaremos as questões relativas e desmobilização de prestadores de serviços, o encerramento de contratos, tomamos decisões a respeito de pleitos e possíveis ações judiciais, e documentamos todas as informações do projeto de forma unificada, que servirá de base para consultas interna como lições aprendidas e histórico de projetos anteriores.

Além disso, iniciamos a preparação para o planejamento das atividades de um novo Projeto, o da Extração Mineral, ou seja, a manutenção das rotinas mineiras.

As etapas do Projeto Principal são interdependentes, e durante o ciclo de vida do projeto o mesmo pode ser suspenso ou cancelado em função da constante análise dos resultados de cada atividade e de cada processo dentro dos FEL’s. Nas interfaces dos FEL’s temos uma revisão detalhada dos avanços dos projetos específicos, suas possíveis falhas e lições aprendidas, a fim de obtermos informações com a máxima confiabilidade sobre a real situação do projeto como um todo.

Para finalizar, a metodologia emprega questões e conceitos que auxiliam na condução da execução dos trabalhos a serem realizados na Exploração Mineral. Mais uma vez, enfatizamos a natureza simplificada dos procedimentos, uma vez que, apesar de ser de forma empírica, esses processos são aplicados. O objetivo é sistematizarmos e documentarmos as rotinas de tomada de decisões dos pequenos e médios mineradores, reduzindo assim as chances de insucesso e/ou de investimentos e aportes de capital (já bastante escassos) desnecessários.

E para facilitar a compreensão e o acesso às informações contidas nos três artigos dessa série, acesse e faça o download gratuito do e-book contendo todo o conteúdo dessa publicação. Assim, fica mais simples de se consultar o material, caso seja pertinente.

Coloco-me também à disposição para auxiliá-los na construção dessa estrutura de projeto, desde a concepção até a entrega dos resultados dos mesmos, sempre buscando a solução mais simplificada ao minerador.


Leonardo Souza é Engenheiro Geólogo com experiência em Prospecção Mineral e Geologia do Petróleo, possui MBA em Gestão Estratégica de Projetos e é Diretor  Executivo da CLGeo Soluções em Geologia e Mineração.

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